quinta-feira, 1 de março de 2012

Adio!

É quase hora de partir...

Já falei tanto de ir embora que acho que não preciso mais falar nada.
É uma tristeza deixar tantas pessoas maravilhosas aqui, mas também é uma alegria voltar pra casa com tantas pessoas maravilhosas me esperando.
Estão todos dentro do meu mega coração de mãe.

Até amanhã, Brasil!

E a Roma, que tanto amo, fica aqui minha promessa de fidelidade...

"Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"

PS: vou atualizar o fim do mochilão, as viagens de fevereiro, a viagem da volta e os números acumulados da viagem na próxima semana. Sei que meu compromisso com o blog ficou meio de lado nos últimos tempos, e que também não tem muito objetivo atualizá-lo agora, mas o faço em homenagem a todos aqueles que, tão amigos ou não tão amigos assim, acompanharam minhas desventuras e me ajudaram a me sentir um pouquinho mais em casa. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

De meus pedacinhos

Entre mais uma cidade e um voo, um ponto turístico e um ônibus, aqui estou.
Uma semana pra voltar pra casa, uma semana pra deixar minha casa, minha Roma.
Mas, pensando bem... Não, Roma não é minha. Eu, é que, de corpo e alma, sou de Roma. 

Sou da grande Roma, capital da Itália, em seu grande território acolhedor. Sou do povo de Roma, com seu sotaque divertido e gentileza infinita que tanto me fez bem em meus primeiros dias. Sou do calor infernal do verão e das frentes frias que passam congelando os dias (e noites). Dos trens, dos ônibus, do trânsito caótico, da culinária apimentada, das árvores sempre verdes. Sou do Tibre, da Via del Corso, da Basilica San Paolo, da Università Roma Tre, das pontes iluminadas, do Panthon, dos gelatos e da Fontana di Trevi, e de tudo o mais que tanto amo e hesito em deixar.
Sou eu, eu que pertenço à cidade.

Não cabem em mim os milhares de anos de história, as construções, a vida e a alegria de Roma. Não cabem em mim as muralhas, as igrejas e os parques de Roma. Não cabem em mim as estreitas ruas de pedra do centro de Roma, nem mesmo as avenidas largas das zonas novas, ou os trilhos do tram ou dos trens.
Eu, que em minha "pequenice", cheguei pequena e sairei maior - contaminada por sua grandiosidade -, mas ainda pequena.

Viver em Roma é levar pra sempre a certeza de ter feito um pequeno papel em sua vida. Porque a cidade vive, por si só, há tantos e tantos anos, e por outros tantos viverá. Eu, em minha "pequenice", deixei meu traço nesse ciclo infinito e maravilhoso de vida da cidade tão querida.
Não, Roma, de fato, jamais será minha. Porque eu, ser humano pequeno, jamais poderei conter essa vida inteira e tão longa.
Roma, sim, contém minha vida. De tudo que fui antes de aqui chegar a tudo que vivi e tudo que serei ao daqui sair. Todos os amigos, todas as alegrias, todos os momentos, cada segundo. Do meu antes, durante e depois dentre esses 6 meses em que eu, com orgulho e alegria, participei de seu ciclo vital e deixei, ainda que ínfima, minha marca: um pedaço de mim.

Porque daqui parto inteira de lembranças, responsabilidades, saudades e amizades, mas aqui deixo, em pedaços, meu coração. Meu coração, que bateu forte por todo esse tempo só de respirar seus ares. O mesmo coração que aprendeu a bater no ritmo de Roma, e que assim permanecerá: no ritmo da capital que, ao contrário de tantas outras, dorme seu sono de beleza todos os dias, sob luzes amarelas. 

Quem sabe um dia eu volte e junte esses pedaços, ainda que por pouco tempo. Até lá, Roma, por favor, peço-lhe uma coisa: que guarde, com carinho, essa parte de mim que já é tão sua.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Do lado de lá do leste

A pessoa já viaja tanto que não consegue ficar quieta em Roma.
Aí acontece de o sistema da faculdade sacanear a pessoa com a data das provas e a pessoa ainda dá um jeito de fazer uma viagem expresso pelo Leste Europeu.
Porque, claro, morar na Europa e não em ir Praga só amarrada mesmo. Já não bastasse a Ryanair cancelar meu voo pra Grécia em outubro e eu não achar nenhuma maneira barata de alcançar Istambul... Praga não podia ficar de fora! E já que eu tava indo pra lá e busu é uma coisa muito dignamente pagável, por que não aproveitar e dar uma esticadinha?
Claro que os planos de Polônia e Berlim foram por água abaixo com as datas das provas, mas o resto ficou mais que de pé.

Eis que dia 16 a turista embarca com seu maior casaco para Praga. Esperando um frio do cão, claro, embarcou logo com seu casaco a la boneco da Michelin, sua nova backpack verde do  sucesso adquirida com 38 euros de desconto nos saldos da Decathlon (minha "mala" velha faleceu seriamente por rasgos no aeroporto de Bruxelas entre puxões e empurrões no medidor da Ryanair) e o mega livro de 1000 páginas de Ferrajoli. Explicando: pra que diabos um livro que até a aeromoça da Wizzair classificou como "realmente grande"? Porque eu só chegava em Roma dia 23 às 8:30 da manhã e a prova de Fefe era no dia seguinte. E entre o dia 16 e o dia 23 teriam muitas, muitas horas mesmo de ônibus e trem pela frente.
(e ainda assim eu só consegui matar 90 e fulaninhas páginas)

Pra nada dar errado dessa vez, contratei o transfer da própria Wizz por sensacionais 10 euros. Eu chegava no aeroporto 23:50, teria um senhorzinho com plaquinha me esperando pra me deixar sorridente na porta do albergue do sucesso de 4,60 a diária. Mas é claro que não iria dar tudo certo.

Pequena pausa na programação normal para breves esclarecimentos
(Por que o pessimismo, as pessoas costumam me perguntar. Pois bem. Eu já perdi trens e ônibus, já perdi dinheiro, já me perdi em estradas, já perdi avião, já quase fiquei sem ter onde dormir, já perdi celular - e fui roubada também pra quem não lembra - e por aí vai. E, claro, minha saga tem que continuar, não é mesmo? Porque Murphy é um senhor maroto que gosta de rir às minhas custas. Mas tudo bem, não seria Erasmus se eu não me lenhasse em alta e não gerasse nenhuma resenha épica para contar pros netos.)
De volta à programação normal

Pois então. Cheguei no aeroporto e não tinha vivalma me esperando. Já visualizando o pior, tinha certeza que o transfer tinha me esquecido. Depois de uns 15 minutos aparece um senhor com uma plaquinha e eu volto a ter esperanças. Depois de esperar mais 2 passageiras e pegar outra senhora em outro terminal, fui a primeira a ser deixada.
Cheguei no tal do hostel 00:30. Peguei a mochila, toquei a campainha e... Nada. Toquei mais vezes e nada. Ouvi uma conversa por trás da porta e interrompi as duas mulheres que estavam falando. "Olá, tenho uma reserva pra hoje, como eu entro?". AÍ QUE TUDO COMEÇA A FICAR LEGAL. "O hostel já fechou, ligue pra recepção porque não temos a chave". 
Que delícia! Nessa hora meu coração até disparou de emoção e adrenalina. Só que ao contrário. Vi o telefone do hostel na placa e liguei. Me atende uma mulher muito desaforadinha dizendo que não pode me deixar entrar porque eu não respondi o e-mail dizendo que horas eu chegava e o hostel fechava meia-noite. Não vou descrever em detalhes todos os xingamentos e reclamações que ela teve que ouvir de minha parte, afinal eu não tinha recebido e-mail nenhum e ela se recusou a me deixar entrar de qualquer forma.
Sem falar tcheco (quem fala tcheco além dos tchecos mesmo?), quase 1h da manhã e sem a mínima noção de onde ir, resolvi procurar o tal do hostel que a miserável do telefone tinha me dito que tinha na mesma rua. Só que era pegadinha do malandro porque eu subi e desci a rua 20x e nada. Parei táxis que não falavam inglês no meio do caminho e ninguém sabia. Porque claro, ninguém fala inglês em países dominados pelo comunismo até a década de 90!
Usando todo o raciocínio disponível e canalizando meu ódio em prol de um teto - afinal tava fazendo pelo menos 0 grau e não é legal dormir na rua a 0 grau - vi um bar e entrei. Porque se tem gente que aprende inglês em algum país ex-URSS vai ser quem lida com turista, certo? E como eu estava no centro da cidade minhas chances eram altas.
E eu dei uma dentro! A garçonete falava inglês. Mas não conhecia nenhum hostel pela área. Mas como o bar tinha wifi e só fechava em meia-hora, eu disse que ia mais na frente procurar onde ficar e voltava pra usar o wifi com o celular caso não achasse nenhum lugar. Claro que não achei e tive que voltar.
Quando voltei, estava começando a nevar beeeem fraquinho e minha madrugada de repente ficou feliz. Afinal, pra quem não sabe, sou menina da roça dos arredores de Conquisssta e até então nunca tinha visto neve. Aí eu já entrei feliz no bar enquanto a garçonete simpática pegou o próprio notebook e começou a procurar hostels pela área. Ela precisou de um help, mas enfim achamos um bem perto. Tão fofa a moça que disse que era pertinho e, JURO, me acompanhou de pé até o bendito e só foi embora quando eu fiz o check-in.

Com um teto sob minha cabeça (e dos bem quentinhos), fui dormir e acordei pro melhor café da manhã de hostel de todos os tempos. Peguei um mapa da cidade da recepção, filei o wifi e lá fui eu rumo ao centro histórico.
E aí começou uma linda história de amor entre a que vos escreve e a cidade mais linda do universo chamada Praga. Eu sei que eu moro em Roma e que Roma dificilmente é superável e que eu dificilmente me encanto com alguma cidade por causa disso. Mas Praga me pegou de jeito e fez meu coraçãozinho bater mais forte!
E como no caminho pra praça do relógio (eu não consigo escrever em tcheco, ok? superem) começou a nevar de novo, aí sim meu coração entrou em taquicardia e eu fiquei babando quando enfim entrei no centro histórico rumo ao ponto de encontro do Free Walking Tour das 11h.
E por 2 horas fui seguindo o guia pelas ruas da cidade e ouvindo mais um pouco sobre a história de um povo sensacional, sobre as guerras, sobre o comunismo, sobre os judeus, sobre o império de Carlos IV... Como uma apaixonada por História não se apaixonaria?
Só digo o seguinte: a cidade é linda, o rio é lindo, o custo de vida é um sucesso, a comida é boa, o castelo é maravilhoso e a universidade é excelente. Quem quer brincar de estudar lá levanta a mão! \o/
Aí a louca volta pra trocar de hostel e sai de novo sem rumo nem destino andando pelas ruas lindas, atravessando a Charles Bridge , subindo a pior escada de todos os tempos pro castelo (a da Sacre Coeur de Paris perdeu, acreditem) e olhando a cidade iluminada de cima - e suspirando.
Lá é tudo tão lindo que eu não quis sair no dia seguinte pra turistar com medo de não querer ir embora e perder o ônibus pra Budapeste que saía 3h da tarde da estação há exatos 10 minutos a pé do meu hostel novo. E também porque eu decidi que vou voltar. Quando, não sei, mas eu vou voltar!
Então eu dormi, acordei, comi comidinha da padaria delícia da esquina, enrolei e só então peguei o ônibus. Que, claro, atravessou a cidade toda e me deixou ainda mais louca de amores. Porque ao contrário de todas as cidades europeias em que eu estive (com raríssimas exceções), não é só o centro que é lindo! Tudo é lindo e colorido e com telhados triangulares e prédios colados, até perto da zona industrial! Ah, Praga, sua linda!

E apesar de não ter pego neve de verdade por lá, no caminho pra Brno/Bratislava/Budapeste tinha neve suficiente pra deixar a roceira aqui muito feliz. Mais feliz ainda com o wifi e a tomada do ônibus, que ainda tinha lanchinho, água e fones de ouvido. Eurolines que mora no meu coração!

Cheguei em Budapeste pelas 10 da noite. Tive que sacar alguns milhares de florints pra comprar a passagem do metrô e lá fui eu pro hostel. Dessa vez nada poderia dar errado, afinal o gerente tinha ligado pra me dar instruções e confirmar minha hora de chegada. Que diferença, não?
Não achei a rua certa de primeira, mas um taxista muito gente fina (no aperto eu sempre recorro a eles, GPSs humanos) me explicou em detalhes a rua e tcharam, cheguei! Bati um papo legal com o gerente que ainda me mostrou onde comer, mercado, onde ir e tralala. E dormi que nem uma criança numa big cama quentinha e aconchegante. 
Resolvi esticar o sono até umas 10h mais ou menos e depois fiquei fazendo hora no quarto. Lá pras 13h saímos pra comer e depois pegar o Free Walking Tour de 14h.
Maravilhas do mundo pós-comunista: menu completo Burguer King por 4,40! Sem falar que eu me sentia ryyyca com notas de milhares na mão. Ok, eu sei que inflação e recessão na Hungria são caso sério, mas é bom de vez em quando deixar de ser turista pobre lascado!
O tour foi massa, tirando a maldita chuva que insistiu em cair a tarde toda. E não foi chuvinha pouca. Na altura de atravessar a Chain Bridge sobre o Danúbio - que eu sempre quis conhecer e é de fato um puta rio grande, meu! - o vento já mal nos deixava andar. E quando chegamos em Buda e subimos pro castelo então o bicho pegou, a chuva fraca engrossou e o fim do tour foi debaixo de toró. Achei muita sacanagem, o toró acabou com minha vista de Peste e do Parlamento iluminado. :(
Hostel quentinho serve pra isso, pelo menos. Dormi que nem um anjo!
No dia seguinte foi a vez de visitar a praça dos heróis - não reclamem, se tcheco é impossível, húngaro é nível Einsten na escala e eu não me dignei a aprender a dizer nem oi -, a igreja de St. Stephen, reatravessar a Chain Bridge depois de ver o Parlamento, subir de novo pra o castelo de Buda e entrar na igreja mais curiosa que eu já vi - St. Michael's. Dessa vez tudo com um sol tímido e nenhuma chuva sobre nossas cabeças! 
Pelo caminho, devo deixar minha impressão, sempre vendo ônibus caquéticos, prédios lindos mal cuidados e prédios comunistas quadradões pra todo lado. Comparado com Praga, o comunismo deixou muito mais marcas por lá, inclusive na economia tensa que tá rolando. 
E de novo dormir no quentinho, mas dessa vez acordar 5:30 da manhã pra pegar o ônibus de 6:30. Viva o metrô da época da URSS!


Por volta de 10h da manhã chegamos em Bratislava, capital da Eslováquia. Fato notório não ter muito o que visitar por lá, mas quem liga? Mais um país na lista, passagem obrigatória pra Viena e tempo de sobra, por que não?
Claro que Bratislava não tem nada. Nem o Danúbio salvou a pobre da cidade, que é basicamente um amontoado de avenidas largas, prédios quadrados e concreto pra todo lado. Claro que tem um centro histórico e um castelo, pequenos e sem graça. Graça tinha o hamburguer de porco do Mc de lá, que super foi barato, mesmo já sendo em terras de euro. E o sol que a gente pegou e me permitiu tirar o casacão Michelin por breves momentos.
E depois de pouco ligar pra Bratislava, pegamos o bus de 2h da tarde e às 3h chegamos em Viena. 
Porque essa é a beleza da Europa: você acorda em um país, almoça em outro e rapidinho tá indo jantar em um terceiro. E de ônibus!

Depois de tanto caminhar em Budapeste a preguiça tava grande, o frio tava congelante e a chuvinha congelada que nos recepcionou em Viena nos fizeram ficar no hostel. Sabe como é, né, chuvinha de gelo do lado de fora sempre vai perder pro combo aquecedor + edredom fofinho do hostel. 
Só que aí, meus caros, começou a nevar. Não nevar fraquinho e triste como em Praga. Não! Neve, neeeeeve! Em menos de 2h todos os carros, calçadas, ruas e postes estavam brancos. E a neve caía em flocões fortes e rápidos, tudo devidamente acompanhado com entusiasmo pela janela do hostel. A louca aqui enlouqueceu mais ainda, vestiu 30 blusas, puxou o Michelinzão do cabide, jogou o capuz na cabeça e saiu escorregando na neve pra tirar foto. Sim, eu já disse e vou repetir: sou da roça mesmo, nunca tinha visto neve mesmo, achei legal mesmo. 
Claro que a saída foi aproveitada pra pegar um kebabão na estação de trem perto do hostel e, na altura de voltar pro quentinho alimentada, podia até cair o céu sobre nossas cabeças que tudo ia continuar lindo. 
Fui dormir rezando pra neve continuar e no dia seguinte a cidade estar com os telhados branquinhos pra eu fotografar. Ô, ilusão!
Na altura de acordar não tinha mais um floco de neve pra contar a história. Só tinha um céu preto tenebroso ameaçando a pior tempestade do século XX. Mas quem se intimida? Passei na Westbanhof pra pegar coisinhas pra meu café da manhã. Pra quem não sabe, não há nada melhor que uma padaria alemã (ou similar) pra tomar café. Catei logo um apfeltasche e saí sorrindo pelo meio da rua.
Caminhamos, caminhamos e caminhamos até chegar no complexo real de Viena. Assim, é um palácio grande, com um pátio grande, um jardim grande, um bosque grande, várias estátuas e fontes. Versailles? Oi?
A vista de lá de cima que valeu à pena, dava pra ver a cidade toda!
E como o esquema aqui é só pegar transporte se não tiver jeito, descemos de pé do morrão (eu correndo atrás de esquilos, ressalte-se!) e fomos de pé na via crucis até o centro. A sorte da vez? Um restaurante japonês/chinês/tailandês maravilhoso e baratíssimo no meio do caminho pra me deixar muito feliz e contente. Matei saudade de sushi com 5 euros e um sorriso ridículo no rosto. :)
Quando chegamos no centro o tal do céu preto já tinha virado lenda urbana e estava tudo azul, praticamente sem nuvens. Quem entende? Não é à toa que não sobrou um floco de neve pra contar história.
Enfim, chegamos no centro, rodamos, passamos por tudo quanto é prédio legal e a impressão é: Viena é linda! Não é linda que nem Praga, porque isso é difícil, mas é linda! Os prédios com cúpulas verdes, os parques, as praças, as igrejas, tudo lindo! E ainda descolei uma foto com uma escada plotada com um quadro de Van Gogh. 
Depois disso tudo, hora de voltar no hostel, catar as coisas, pegar o metrô e ir pra estação de trem pegar meu trem pra Roma. Porque sim, eu voltei de trem pra Roma. Primeiro que pra voltar de avião barato eu ia ter que ir pra Bratislava de novo. Segundo que 29 euros numa passagem de trem overnight pra Roma saiu muito mais barato que avião, e muito melhor também. Sabe como é, aquela agonia de peso e tamanho de mochila, raio-x e etc. não é muito minha praia.

Então lá fui eu encarar 13h de trem até Termini, munida de itens de padaria, aguinha, almofada de pescoço, celular com mp3 variadas, fone de ouvido e o livrão de Ferrajoli. Claro que o livro não durou muito tempo, foi só eu começar a ver camadas enormes de neve pela janela que ele foi abandonado. 
A grande vantagem foi poder me espichar a viagem quase toda. Isso porque a cabine pra 6 pessoas tinha só eu! Então eu puxei logo 4 assentos e fiz uma big cama de casal, me cobri com meu casaco e me joguei no sono pesado entre bedéis pedindo minha passagem. E nessa vida de rainha eu fui até Bologna lá pelas 4h da manhã, quando entraram mais 2 pessoas na cabine e eu me reduzi pra só uma cama de solteiro com minhas duas poltronas. E assim eu cheguei feliz, bem dormida e contente em Termini às 8:30 da manhã, ainda com um croissant pro café e a tempo de chegar em casa, tomar banho, catucar meu computador e sair correndo pra averbar a nota de Direito Constitucional Comparado.